Parlamento da Guiné-Bissau retira poderes ao Presidente da República
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Foto Angop
A maioria dos deputados da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau aprovou nesta quinta-feira, 27 de Junho, uma resolução que determina a cessação imediata das funções constitucionais do Presidente da República José Mário Vaz (Jomav) e a sua substituição no cargo pelo presidente do parlamento.
De acordo com a agência de notícias angolana, Angop, a resolução que afasta Jomav, cujo mandato terminou no domingo, 23, foi aprovada por 54 dos 102 deputados do parlamento, ou seja, os deputados do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau, União para a Mudança e partido da Nova Democracia, que formam a maioria.
Os deputados do Movimento para a Alternância Democrática da Guiné-Bissau (Madem-G15) e do Partido da Renovação Social (PRS) não estiveram presentes na sessão.
Jomav convidado a ir a Abudja
O site “e-global” dá conta de fortes pressões diplomáticas da CEDEAO no sentido de convidar à próxima Cimeira dos Chefes de Estado da CEDEAO, em Abuja, o agora presidente interino Cipriano Cassamá, assim como o Primeiro-Ministro Aristides Gomes e o antigo Chefe de Estado, José Mário Vaz.
A mesma fonte adianta que durante a Cimeira da CEDEAO deve ser analisada a situação política guineense, à luz do falhanço de José Mário Vaz em cumprir com a exigência da organização sub-regional em nomear um Governo até ao final do seu mandato, a 23 de Junho último. Além disso, a Cimeira poderá também servir para imposição de sanções aos políticos guineenses que a organização sub-regional venha a considerar responsáveis pela não nomeação do Governo. À cabeça da lista dos alvos da CEDEAO estarão o próprio José Mário Vaz mas também o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, que ontem em conferência de imprensa acusou o Senegal de acusar Jomav na preparação de um golpe de estado.
Líder do PAIGC na sede da ONU em Nova Iorque
Entretanto, Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), encontra-se desde terça-feira em Nova Iorque para encontros nas Nações Unidas. Ele tinha sido indicado pelo partido que chefia para ocupar o cargo de Primeiro-Ministro mas foi rejeitado pelo agora afastado presidente José Mário Vaz. Este acabou por nomear Aristides Gomes, depois de apresentada nova proposta pelo PAIGC.
Fonte da ONU citada pela Lusa avançou que o comité executivo do Secretário-Geral da Nações Unidas reuniu-se na terça-feira para discutir a situação na Guiné-Bissau.
José Mário Vaz cumpriu cinco anos de mandato no domingo e a CEDEAO pediu ao Presidente guineense para marcar as eleições presidenciais, nomear e indigitar o primeiro-ministro e o Governo, com base nos resultados das legislativas, até terminar o seu mandato.
O PAIGC foi o partido que venceu as legislativas e apesar não ter a maioria fez um acordo de incidência parlamentar e governativa com mais três partidos, conseguindo obter 54 dos 102 deputados do parlamento da Guiné-Bissau.