Brasil: Dilma lidera sondagens seguida de Aécio Neves do PSDB
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Inquéritos realizados poucas horas antes do início da votação revelam uma inversão de posições na corrida pela segunda volta das presidenciais confirmam Dilma Rousseff como provável vencedora na primeira volta. Pela primeira vez, Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) aparece à frente de Marina Silva, do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
A tendência de recuo de Marina, que chegou a estar colada a Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT) que se candidata à reeleição, começou há um mês e a candidata chega ao momento crucial das eleições pela primeira vez numa situação desfavorável. A sondagem do Datafolha mostra que Aécio Neves tem agora mais dois pontos percentuais de intenções de voto que Marina (26 contra 24%). E o Ibope aumenta até essa vantagem, de 27 para 24%.
Ainda que os resultados se enquadrem nos limites do empate técnico, o desempenho dos candidatos que disputam um lugar na segunda volta das eleições coloca Aécio Neves numa posição favorável. O seu avanço faz-se à custa de um ligeiro de recuo de Dilma Rousseff (de 47 para 46% no Ibope e de 45 para 44% no Datafolha), mas acaba por penalizar igualmente Marina Silva. Depois, a inversão da tendência das sondagens reflecte-se nas intenções de voto dos eleitores numa disputa a dois na segunda volta, onde pela primeira vez Aécio Neves aparece como melhor colocado do que Marina Silva para enfrentar a candidata do PT.
Numa eleição fortemente polarizada entre o “petismo” e o “anti-petismo”, o facto de Aécio se apresentar como o candidato melhor posicionado para fazer frente a Dilma é considerado pela generalidade dos analistas como um activo político precioso. No momento da votação, essa sensação pode atrair o voto dos indecisos e, principalmente, o eleitorado que até à última semana esteva ao lado de Marina Silva. Para lá desta avaliação, a decisão do eleitor pode ser influenciada pelo desempenho de ambos os candidatos na semana crucial da campanha. Marina mostrou-se cansada e sem meios no terreno para atrair multidões, por oposição a uma campanha do PSDB mobilizada pelas sondagens e pela prestação de Aécio Neves no derradeiro debate televisivo, considerada mais positiva do que a dos seus adversários políticos.
Com 142.8 milhões de eleitores mobilizados para escolher o presidente, 27 governadores de estado, um terço do Senado, 513 deputados federais e mais de 1000 deputados estaduais, o acto eleitoral decorreu ontem até ao meio-dia com pequenos incidentes. Dezenas de pessoas foram detidas em todo o país por distribuir propaganda eleitoral junto dos locais de voto e centenas de militares das forças especiais foram enviados para Santa Catarina, onde na última semana deflagrou uma onda de ataques a autocarros, a instalações policiais e a agentes da autoridade.
Dilma Rousseff votou em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, estado onde fez a sua carreira e lembrou que o voto é uma “arma” do povo. “A gente tem de ter clareza de que quem conquistou tem que defender o que conquista. Por isso, na hora do voto, essa é a inspiração que cada um tem de ter”, disse Dilma. Aécio Neves votou em Belo Horizonte, Minas Gerais e, reagindo às sondagens, afirmou cautelosamente (a lei eleitoral restringe a intervenção política no dia das eleições) “que a coisa veio acontecendo com naturalidade. Não foi uma surpresa. Estou sereno”. Já Marina Silva viajou para o Acre, o seu estado natal nos confins da Amazónia, onde afirmou não querer “ganhar a eleição com base na calúnia”.
Fonte: Público