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Custo, Suicidio, Tensão e Reformas
Por VNN Staff / Pedro Chantre
Publicado Thursday, March 02, 2006
Cabo Verde está na moda. Tudo na vida tem um custo. Não se consegue nada por um acaso. Ninguém dá um “tostão” de graça.
Muitas vezes as informações passam despercebidas. Estamos pouco atentos ou preocupados com outros afazeres. Parece uma praga generalizada. Ainda por cima, quando a matéria escrita se estende torna-se insuportável o seu consumo. Por essas razões entendi fazer algumas buscas e ligeiras abordagens (o que não é facil!).
Este espaço, artigo de opinião, tem por objectivo principal fazer apanhado de notícias tornadas públicas nos mais variados canais de comunicação.
Periódicamente trazemos assuntos de interesse, informação de actualidade, motivo para reflexão e, porque não, debate público.
Espera-se, igualmente, por parte do leitor cibernauta, uma saudável relação de inter-actividade, em que se coloca à sua disposição o espaço de participação – Comentário. Participe e dê a sua sugestão. Neste número se apresentam quatro pontos relacionados a três àreas de actividade distintas: investimento, política e educação.
1 - OS CUSTOS
Em 2008 Cabo Verde irá sair do grupo de Países Menos Avançados (PMA) e entrar na linha de Países de Desenvolvimento Médio (PDM).
Com isso o arquipélago deixará de receber significativas ajudas financeiras por parte da comunidade internacional. É preciso atrair outras formas de financiamento e mais investimentos. Na ordem das prioridades estão as infra-estruturas. O Banco Mundial agendou para breve, data a indicar, a realização de um “workshop” para discutir o programa de apoio.
Os desafios são redobrados. As exigências acrescidas. E, nesse sentido, anteve-se que as conquistas e contrariedades serão, também, maiores.
2 – “TIRO NO PRÓPRIO PÉ”
Na anterior edição se previa as consequências negativas, sem medida, a propósito de provável reclamação de fraude e impugnação de eleições. A escorregadela se confirmou. Na altura se escreveu “não vá essa pretensão se transformar num acto sitemático do dia-a-dia e gosto do prazer”. E, ainda, se alertou “não tentem inventar, camuflar, muito menos, prejudicar porque o feitiço volta sempre contra o feitiçeiro”.
Na sequência das vitórias reconquistadas - legislativas pelo PAICV e presidenciais por Pedro Pires –, em resultado das referidas contestações, acredita-se, muitas figuras de “proa” ficaram comprometidas. Mas, nunca de sabe, ao certo, porque a prática política é um jogo. É feita de voltas e contragolpes!
A CNE (Comissão Nacional de Eleições) anunciou os vencedores. Aos perdedores cabe fazer as suas contas. Mas, que futuro politico para Carlos Veiga e Agostinho Lopes?
Para certos analistas políticos, as atitudes pós eleição dos candidatos derrotados, Veiga (presidenciais) e Lopes (MpD / legislativas), foram o suicídio político. Pela leitura, entenda-se que, ambos poderão ter comprometido, pelo menos a curto e médio prazos, a sua carreira enquanto líderes que aspiram chegar aos mais altos cargos da Nação.
É de conhecimento geral que, gerou-se confusão e a imagem dos principais derrotados saiu queimada. Foi o jogo do tudo ou nada. Um risco muito ousado na política. E, houve quem, em jeito de ironia, exclamou que “os dois, de mãos dadas, acabaram por sair ralados, com calças rotas e camisas penduradas”.
3 – C. VERDE NA MIRA DA NATO - Operação “Steadfast Jaguar 06”
Cabo Verde anunciou que a NATO (North Atlantic Treaty Organization - Organização do Tratado Atlântico Norte) vai enviar, em Junho próximo, forte contingente de 6.000 militares para o território nacional em missão de treino. A Operação é designada de “Steadfast Jaguar 06” (lugar de rápida intervenção).
Sem duvida que o país, a cada dia que passa, cresce, ganha mais prestígio internacional e confere mais confiança aos investidores.
Pela pequenez do território e limitações de recursos, além do(a) cabo-verdiano(a) e da localização geográfica estratégica, a riqueza “verdiana” ultrapassa pouco mais que a virgindade(?) de uma àrea marítima abundante em peixe e um solo semi-árido.
Quando se recebe notícia desse calibre, automaticamente, fica-se atado e despertam-se preocupações. Qual o tipo de treinamento que a NATO irá desencadear em Cabo Verde? Quais serão as armas a serem utilizadas? Qual será o impacto ambiental?
Apuramos que, segundo a própria NATO, "as capacidades da Força de reacção serão postas à prova no grande exercício real, Steadfast Jaguar 06, que terá lugar no verão nas Ilhas de Cabo Verde. A dificuldade dos lugares visa precisamente fazer a demonstração e a prova da viabilidade do conceito do NRF".
A NRF (Força de Resposta da Nato) estará em plena acção. Mas, o que se pretende dizer com “um grande exercício real”?
Um assunto acaba, quase sempre, por puxar o outro. Recorde-se que há muito se vem falando, desde o tempo da primeira República do PAIGC/CV no poder, do interesse por parte de potênciais mundiais em instalar base militar em Cabo Verde. Essa é uma questão melindrosa que o então governo, pelo que se sabe, não admitiu nem desmentiu. O certo é que até então não aconteceu. Parece que a carga psicológica voltou. A tensão também. E, agora a dúvida. Em que ficamos?
Contudo, espera-se a quem de direito possa pronunciar para detalhada e convincente explicação.
4 – EDUCAÇÃO PARA TODOS MAS, COM QUALIDADE
A criação da Universidade de Cabo Verde (UNI-CV) tem sido outro destaque de momento. Para a Ministra da Educação, Filomena Martins, constitui “o reforço da identidade cabo-verdiana, da cidadania e da projecção internacional … à medida que consubstancia a transformação sustentada e equilibrada do país”.
Continua-se a falar em reformas no sistema de ensino. Substitui-se nomes. Retira-se e coloca-se disciplinas. Acrescenta-se matérias e, queixa-se que se fica na mesma ou pior. É, pelo menos, a sensação que se depara.
Os mais “velhos” fartam-se de dizer que no seu tempo de estudante “o nível de ensino era ainda mais exigente” – entenda-se – a aplicação era maior.
Dura realidade
Debruçando sobre as disciplinas de letras, particularmente linguas - porque já se sabe que ciência, sem laboratórios petrechados e experiências práticas, torna-se ainda mais complicado ou de difícil compreensão - por vezes, não se quer admitir a dura verdade.
Embora em franco crescimento, o ensino está aquém de atingir os objectivos e, se calhar, um pouco desviado da conjuntura.
Se se quer que Cabo Verde seja, de facto, um país competível e rentável – como se propaga por aí aos quarto cantos -, vocacionado para o turísmo ou prestação de serviço, no nosso modesto entendimento, deve-se considerar outros aspectos importantes.
- Quais são as condições necessárias? Qual a forma de comunicação de negócio universal? O que tem sido feito nesse sentido? E, qual o rumo a seguir? Novo Ciclo
Lá se foi a época em que a nossa opinião (ou melhor, convivência!) era outra. Mas, com o andar do tempo, pelos conhecimentos adquiridos e factos apurados, hoje, a posição é bem diferente.
Em vez de se perder tempo, gastar dinheiro, desperdiçar massa cinzenta (capacidade) e insistir em o que não nos leva muito longe, a nosso entender, é tempo e hora - não de forma radiacal mas, sim, gradual e moderada - começar a consolidar posições, à vista de todos, mais consistentes. Está em causa a vocação e vontade de um povo.
É razão para se perguntar: porque motivo não se aposta mais nas linguas, inglês e francês, desde tenra idade?
A esse propósito, no outo dia, um conhecido humorista disse que “bebemos e mastigamos em demasia a gramática de José Maria Relvas, que acaba por nos deixar barrigudos e com estomâgo para pouco mais”. Esse “sketch” (encenação) não pretende menosprezar, muito menos, demarcar das relações históricas. Pelo contrário, transmite a ideia de complemento, da integração lógica e natural na globalização. Por outras palavras, interpreta-se que “quem demora, chega tarde e perde oportunidades”.
Sabe-se, de antemão, que o orçamento do Estado para a Educação é limitado e os custos são elevados. Cabo Verde entrou num novo ciclo. É o preço do desenvolvimento.
Uma questão de Investimento
O investimento a médio e longo prazos revela-se imprescindível. A pouco-e-pouco a cooperação, nomeadamente com França, rende os seus trunfos mas, a um nível de incentivo particular, pouco abrangente.
A aprendizagem do ingles, em desvantagem, é vista como o principal cavalo de batalha. Carece de mais classes, prática oral e escrita.
Exemplo a considerar, nos EUA, grande parte dos emigrantes, inclusive com nível académico e experiência profissional aceitável, ao chegar no país, se não dominar a lingua, depara com enormes dificuldades, sobretudo, absorvidos pelo capitalismo.
Sendo enorme a sobrecarga e a falta de tempo, muitas das vezes as reais capacidades do emigrante ficam subaproveitas, adiando ou deitando por “terra abaixo” alguns dos seus principais sonhos, podendo causar frustrações. Por outro lado, a integração das crianças é mais fácil.
Em virtude desse conjunto de preocupações e querer, há mais, no próximo número deste RESCALDO por Pedro Chantre.
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