O Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas apelou ao governo da Guiné-Bissau para libertar imediatamente todos os detidos nos eventos de 01 de Abril deste ano, ou processá-los judicialmente.
De acordo com a Rádio ONU, o apelo foi divulgado, na quinta-feira, através de um comunicado presidencial do órgão máximo das Nações Unidas.
O chefe de Estado Maior das forças armadas, Zamora Induta e outros oficiais foram detidos a 01 de Abril durante uma insurreição militar liderada por António Indjai, que assumiu este mês a liderança oficial da hierarquia militar guineense.
No mesmo dia, elementos das forças armadas invadiram as instalações da ONU em Bissau, uma decisão que Ban Ki-moon descreveu de inaceitável e condenável.
O Conselho de Segurança manifestou ainda profunda preocupação sobre o contínuo aumento do tráfico de droga e crime organizado na Guiné-Bissau, que ameaça a paz e segurança do país e da sub-região africana.
O comunicado saudou os esforços feitos por líderes regionais, particularmente o presidente Pedro Pires de Cabo Verde, de se envolverem num diálogo construtivo com a liderança guineense.
A decisão surgiu após uma reunião do Conselho de Segurança marcada por divisões entre os diversos membros, cuja confiança nas autoridades guineenses foi abalada pela recente nomeação de um dos líderes da tentativa de golpe de 01 de Abril, António Indjai, como novo chefe militar, segundo relataram vários diplomatas que participaram no encontro.
A declaração é omissa quanto a Indjai, apelando apenas "às forças de segurança, em particular aos militares, para que honrem os seus compromissos de obediência ao controlo civil".
Uma "reforma genuína do sector de segurança exige a criação de forças de segurança eficazes e cumpridoras e o respeito pela lei", salientou o Conselho de Segurança.