O chefe de Estado cabo-verdiano Pedro Pires participou no sábado, em Paris, França, de uma reunião que visava apaziguar os ânimos entre o presidente Malam Bacai Sanha e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.
Segundo fontes de Bissau, o encontro teria ditado o afastamento definitivo de Carlos Gomes do governo da Guiné-Bissau.
Gomes Júnior saiu da capital guineense, com destino a Cuba no final de Abril, para, alegadamente, ser submetido a um tratamento médico, encontrando-se actualmente em Lisboa em convalescença.
Carlos Gomes esperava, nesse encontro de Paris, que o presidente Malam Bacai Sanhá desse sinais claros de que estaria disposto a criar as condições para lhe garantir o exercício efectivo do cargo de primeiro-ministro.
Fontes de Visaonews asseguram que Carlos Gomes, também conhecido por Cadogo, não regressará ao país se o presidente da República guineense insistir na designação do líder do golpe de Estado de 1 de Abril, António Indjai, para o cargo de Chefe de Estado Maior das Forças Armadas. Recorde-se que durante o golpe, o primeiro-ministro foi detido, durante algumas horas, pelos militares, mas acabou por ser libertado horas mais tarde; e foi ainda deposto o então chefe das Forças Armadas, almirante Zamora Induta.
Induta era o único oficial de alto patente fiel ao primeiro-ministro Carlos Gomes. Com a queda de Zamora Induta, o primeiro-ministro perde todo o controlo sobre as Forças Armadas que é, na realidade, o centro do poder na Guiné-Bissau.
Observadores políticos registam uma certa ascensão de influência da ala fiel a Nino Vieira, o presidente assassinado em Março de 2009. Entre Nino e Carlos Gomes havia grandes divergências. Mais do que diferenças ideológicas, eram disputas à volta de propriedades.
Em um artigo publicado no Jornal de Angola, em Abril, o autor Belarmino Van-Dúnem explica que com a queda de Nino em 1999 e consequente asilo em Portugal, Carlos Gomes passou a ser uma espécie de procurador do presidente, cuidava dos seus negócios e assuntos pessoais, chegaram a ser uma espécie de sócios.
“Na ausência de Nino Vieira, no exílio, Carlos Gomes apropriou-se de todos os bens do seu sócio, ao ponto de Nino ter reclamado, numa entrevista pública, a residência do primeiro-ministro, alegando ser do seu filho. Nino foi mais longe e acusou o seu antigo camarada de ‘gatuno e traidor’. As desavenças eram tantas que Nino chegou mesmo a destituir Carlos Gomes do cargo de primeiro-ministro e nomeou um governo de unidade Nacional”, revelou Van-Dúnem .
O actual chefe de Estado, Malam bacai Sanha, tão pouco morre de amores por Carlos Gomes que chegou a apresentar um outro candidato para as últimas eleições presidenciais.