Um vulcão na Islândia que estava adormecido desde o século XIX, entrou em erupção neste domingo forçando mais de 500 pessoas a abandonar a zona.
"Pensamos que ninguém está perigo na região, mas criámos um plano de evacuação e entre 500 a 600 pessoas dos arredores foram retiradas das suas habitações", declarou um responsável da protecção civil, Sigurgeir Gudmundsson.
A erupção começou imediatamente depois da meia-noite na região do glaciar de Eyjafallajokull, e a principal estrada de acesso foi encerrada, indicou a rádio nacional RUV.
Registos
Pesquisa realizada por cientistas americanos e escoceses indica que quando um vulcão entrou em erupção na Islândia, no século 18, ele não só matou nove mil moradores da área, mas desencadeou uma crise ambiental que levou à fome no Egipto e à redução da população do Vale do Nilo em um sexto.
Os pesquisadores utilizaram um modelo de computador criado pela Nasa para rastrear as mudanças na atmosfera terrestre que se seguiram à erupção do Laki, em 1783, no sul da Islândia. O estudo é o primeiro a vincular, conclusivamente, uma erupção em alta latitude com o suprimento de água no norte da África.
"Nossas descobertas poderão ajudar a melhorar as previsões sobre a reacção do clima após a próxima erupção de alta latitude, especialmente as mudanças na temperatura e precipitação", disse o principal autor do trabalho, Luke Oman.
Já se sabia que erupções nos trópicos causam invernos mais quentes no hemisfério norte; mas o novo estudo mostra que influências do vulcanismo também podem fluir na direcção oposta, do norte para o sul.
Em Junho de 1783, o vulcão Laki iniciou uma série de erupções, consideradas as de mais alta latitude dos últimos mil anos. Além da lava, foram emitidas milhões de toneladas de gases tóxicos, causando a morte da vegetação, animais e pessoas.
Às erupções se seguiram secas no norte africano, causando um fluxo reduzido do Rio Nilo. No hemisfério norte, o verão de 1783 foi gelado - mais frio em 500 anos.