A política é classificada por alguns como “coisa suja”, no entanto, quem entra na política com esse sentimento e assim pensa deve ficar de fora. Eu, ao contrário, sempre pensei que a política é para mulheres e homens sérios, que querem fazer algo de bom para a colectividade.
Entendimento contrário tem o presidente do MpD Dr. Carlos Veiga que, acostumado a viver no lamaçal da tramóia e do truque, continua a insistir em tentar arrastar o meu nome para a lama, ao acusar-me publicamente de um alegado crime que nunca chegou a existir. Entendo a política, mesmo a chicana à moda ventoinha, e apesar das muitas insinuações feitas nos últimos anos, a coberto de um conhecido jornalismo, sempre resisti a responder para, precisamente, não entrar no coro de quem apenas quer distrair os cabo-verdianos, impedindo-os de ver o que a política limpa do Governo do PAICV está fazendo em Cabo Verde.
Considerando que, ao reagir à remodelação anunciada pelo Senhor Primeiro-Ministro, o Dr. Carlos Veiga limitou-se a insinuar que o Ministério das Comunidades Emigradas foi entregue a alguém que pratica a fraude, entendi ser chegada a hora de responder à altura como pai, cidadão, médico e político.
Na segunda volta das eleições presidenciais de 2001, estando eu na ilha do Fogo algumas pessoas me solicitaram, na qualidade de médico em pleno exercício das suas funções, que passasse atestados médicos a alguns idosos para que pudessem exercer o seu direito de voto, acompanhadas de pessoas da sua confiança, ao abrigo de uma disposição do código eleitoral vigente na altura.
Um facto normal, previsto no código eleitoral e que não limitava essa competência ao Delegado de Saúde. Entendi ser de bom-tom facilitar o exercício de um direito, usando a competência que a minha condição de médico, quadro do Hospital Agostinho Neto, especialista em Urologia e inscrito na Ordem dos Médicos me facultava. Eu não era candidato e conhecia perfeitamente todos aqueles idosos, não só pelo facto de ser natural da ilha, mas também por ter sido Delegado de Saúde do Fogo durante quatro anos
A lisura desse processo foi tal que, após consulta directa junto da Comissão Nacional de Eleições, este órgão, através do seu presidente, nomeado pelo então Governo do MpD, interveio junto do delegado da CNE quando numa das assembleias de voto o presidente da mesa recusou aceitar um atestado médico, alegando não ter sido passado pelo Delegado de Saúde.
Não pretendo vir aqui fazer a minha defesa em relação à campanha difamatória que o Dr. Carlos Veiga e o MpD movem contra mim, chegando ao ridículo – principalmente para um advogado - de afirmar publicamente que passei atestados médicos a mortos, quando a própria lei obriga o cidadão eleitor a fazer-se acompanhar do atestado e que seja ele a indicar ao presidente da mesa o nome da pessoa da sua inteira confiança que o deve acompanhar. É que tal campanha e o processo que Carlos Veiga move contra mim não têm pernas para andar.
Devo sim lembrar que, ao contrário do que o MpD continua a fazer passar, se não fui ouvido pela Justiça foi porque a Comissão Permanente no Parlamento, de que fazem parte todos os partidos com assento parlamentar, por unanimidade, não autorizou essa audição, na linha do que tem sido a prática de sempre na Assembleia Nacional.
A verdade é que o Dr. Carlos Veiga nutre um profundo ódio pela minha pessoa porque conhece o papel que, enquanto dirigente do PAICV, desempenhei para a sua merecida derrota nas duas últimas eleições presidenciais, aliado ao facto de nos Mosteiros e em S. Filipe ter contribuído sempre para retumbantes derrotas do MPD em todas as eleições.
Qualquer um pode imaginar o pesadelo que teve ao constatar que, não obstante a dupla contabilização de dezenas de boletins de voto a seu favor em Santa Cruz e que forma desviadas para outras mesas, o Supremo Tribunal de Justiça tenha reconhecido a vitória do seu adversário. Impedir o exercício de voto desses idosos no Fogo ou anular os seus votos como pretendeu e planificou dias antes das eleições, dar-lhe-ia um jeitão!
O tiro saiu pela culatra e compreendo perfeitamente o desespero do Dr. Carlos Veiga ao falhar o seu objectivo, apesar de todo o esforço do comité de fraude que toda a nação sabe onde funcionava. Refresco-lhe a memória, com um célebre comité e um não menos famoso vídeo.
Chegado a este ponto, devo dizer ao Dr. Carlos Veiga que não lhe reconheço nenhuma autoridade moral para me apontar nem sequer o dedo mindinho, enquanto pai, cidadão, médico especialista e político. Quem não o conhece que o compre!
Que autoridade moral tem um homem que, na sua qualidade de chefe do Governo, mente perante o Presidente da república e o plenário da Assembleia Nacional em relação ao negócio da ENACOL e o consequente desvio de dois milhões de dólares que, por sinal, continua sem explicação?
Que autoridade moral tem um homem que, enquanto chefe de Governo não se coíbe de promover a alteração de uma lei, liberalizando a importação do cimento, precisamente no momento em que um barco carregado desse produto, destinado a uma empresa que lhe é próxima já se encontrava no porto da Praia a espera?
A lista é enorme. Por exemplo, que lição de moral me pode dar quando, sem ética alguma, quis obrigar o Presidente da República a aceitar de facto a existência de dois primeiros-ministros: ele, a coberto de um cargo público, preparando a sua campanha para a Presidência da República, e o Dr. Gualberto do Rosário chefiando o Governo? Felizmente, quem tem ética o obrigou a renunciar.
O Dr. Carlos Veiga jurou a pés juntos que não voltaria à liderança partidária, mas, por razões até então inconfessadas e quiçá inconfessáveis, veio, agora, fazer o que se sabe e o que não se sabe para tomar as rédeas do partido. Todavia, como as contas lhe saíram erradas, e vai ter de enfrentar José Maria Neves, pega no que lhe vier à mão para acusar e difamar.
O Dr. Carlos Veiga já está em campanha e, em vez de apresentar propostas, acusa sem fundamento. No entanto, digo-lhe que pode continuar com as acusações, que eu continuarei com o meu trabalho. Eu sei que tremeu com a minha nomeação porque sabe que eu trabalho e bem, e que as comunidades emigradas terão a atenção que merecem do Governo e não jantares e discursos de ocasião apenas para alguns fiéis, como ele fez recentemente nos Estados Unidos e em Portugal.
Ao tentar jogar na antecipação, sonhou manietar a minha acção. Mais uma vez falhou porque ao aceitar o Ministério, fi-lo com a convicção de que posso realizar um bom trabalho de acordo com as orientações do Senhor Primeiro-Ministro. Saiba que dar-lhe-ei toda a luta política necessária, dentro da lealdade e da legalidade, e que em 2011, mais uma vez, iremos a votos.
Por Sidónio Monteiro