Poucos meses após o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, ter virado as costas aos jornalistas cabo-verdianos em Nova Inglaterra, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Victor Borges, também veio aos EUA e ignorou a imprensa.
Curiosamente, quando os dirigentes estão na oposição e visitam esta comunidade, é vê-los correr atrás de entrevistas em rádios “AM”, “FM”, jornais, TV, sites e blogs. Mas, quando chegam ao poder...
Borges participou da segunda reunião preparatória para a constituição de uma federação de associações cabo-verdianas, que contou com a participação de 30 representantes de organizações comunitárias da região de Nova Inglaterra.
A visita acontece após o ministro realizar missões a Cuba e a República Dominicana e antes de se deslocar a Washington D.C., para encontros com autoridades americanas. Além disso, é a primeira vez que Borges viaja aos Estados Unidos após a graduação de Cabo Verde para a categoria de País de Desenvolvimento Médio (PDM).
Os jornalistas convidados à reunião que ocorreu na cidade de Dorchester, foram meros espectadores do encontro onde se nomeou alguns gupos de trabalho para certas localidades da região.
A iniciativa surgiu do Consulado de Cabo Verde em Boston na sequência do primeiro encontro realizado em Setembro de 2007 aquando da visita do Primeiro Ministro, José Maria Neves, que na altura foi acompanhado pelo Ministro Borges.
“Não temos pressa para formar essa associação”, defendeu a adida cultural do Consulado de Cabo Verde em Boston, Gunga Tavares. Contudo, os participantes revelam desejo de se unirem e escolheram a palavra de ordem “confiar e apoiar em vez de criticar”.
Antes de sair apressadamente do encontro, o Ministro Borges encorajou a iniciativa e sugeriu que se evite a “desmotivação e descrédito”.
O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros e Comunidades pediu para se “eliminar as diferenças existentes entre cabo-verdianos nascidos nas ilhas e os nascidos nos EUA”. Ele acrescentou que “as organizações com objectivos e preocupações diferentes representam fonte de riqueza”.
Em relação à criação da federação das associações, o governante entende que se deve “definir um modelo de organização, excluir a politização ou partidarização da federação, e estimular a tolerância”. Borges alega que não se pode excluir as pessoas que não estejam de acordo com o governo de Cabo Verde.
O Ministro Victor Borges se fez acompanhar pela embaixadora, Fátima Veiga, e pela cônsul-geral, Maria de Jesus Mascarenhas.