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Governo Trump divulga nova política anti-imigração com mais deportações

Governo Trump divulga nova política anti-imigração com mais deportações

O Departamento de Segurança Doméstica dos EUA divulgou nesta terça-feira (21) memorandos que colocam em prática os decretos sobre a nova política de imigração de Donald Trump, com orientações às agências responsáveis para expandir os alvos de deportação.

Entre as decisões mais polémicas está a de autorizar a deportação "expressa" para imigrantes ilegais que não consigam comprovar que vivem nos EUA de forma contínua por ao menos dois anos.
Antes, a prática estava limitada a pessoas há menos de duas semanas no país e que tivessem sido detidas a menos de 100 milhas (160 km) da fronteira.
Só essa decisão já tem potencial para aumentar significativamente o número de imigrantes deportados daqui para frente —não foi divulgada uma estimativa desse crescimento. A "remoção expressa" permite que um indivíduo seja mandado de volta ao país de origem sem passar por todo o processo legal.
Sob as novas orientações, mudam também os alvos prioritários de deportação. Até agora, a "prioridade um" eram os imigrantes ilegais que são membros de gangues ou que foram condenados por crimes graves — classificação que vai de homicídio e estupro a falsificação de passaportes. Crimes tidos como menos graves, como dirigir embriagado, violência doméstica e assalto, eram considerados "prioridade dois".
Agora, os agentes devem priorizar a deportação de imigrantes ilegais que "tenham sido condenados por qualquer crime", incluindo fraude perante um órgão do governo e o "abuso contra qualquer programa de recebimento de benefícios públicos".
Segundo dados do Departamento de Segurança Doméstica, 240.255 imigrantes foram deportados em 2016 —número pouco maior do que os cerca de 235 mil de 2015, mas 40% menor que o pico de quase 410 mil deportações do governo Obama, em 2012.
Dos 240 mil deportados em 2016, 58% eram imigrantes condenados por crimes —destes, 77,6% eram considerados "prioridade um".
A estimativa oficial é que haja hoje 11 milhões de imigrantes sem documento nos EUA. Assim que foi eleito, Trump disse que deportaria todos os condenados por crimes —que ele estimou entre 2 milhões e 3 milhões.
O número, contudo, leva em consideração, também, imigrantes que estão legalmente no país.
Em uma teleconferência com jornalistas, funcionários do departamento tentaram amenizar o alarde causado pelas mudanças. Segundo eles, muitas das propostas terão uma implementação mais lenta, já que é preciso organizar a logística e finalizar as regras para as acções.
"Não há por que haver pânico nessas comunidades. Não temos pessoal, tempo ou recursos para entrar nas comunidades e jogar as pessoas, em operações em massa, dentro de ónibus", disse um funcionário sob anonimato. "Isso não tem a intenção de produzir deportações em massa."
Segundo os funcionários, a decisão de levar imigrantes de países da América Central, como El Salvador, Guatemala e Honduras, para centros no México onde ficarão esperando por audiências, por exemplo, será implementada aos poucos, já que o governo vizinho precisa aceitá-los.
Para tentar suprir a falta de pessoal, os memorandos prevêem a contratação de 10 mil agentes. Determinam ainda a expansão do número de centros de detenção e a criação de um escritório para ajudar as famílias das vítimas de crimes envolvendo imigrantes ilegais.
Aqueles que chegaram com menos de 16 anos e têm hoje menos de 35 —os chamados "dreamers"— não serão alvo destas acções. Nenhuma das directrizes muda o programa conhecido como Daca, de 2012, que oferece permissão de trabalho e protecção contra deportação aos "dreamers".
Em entrevista nesta terça-feira, Trump afirmou que vai cuidar "muito, muito bem" desse grupo de jovens imigrantes.
Fonte: UOL.com.br

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