Menu

Zika faz turistas reverem planos de viagem ao Brasil

Zika faz turistas reverem planos de viagem ao Brasil

A paquistanesa Hina Jaffry queria tanto conhecer o Brasil que decidiu celebrar seu segundo aniversário de casamento no país, no mês que vem. Após semanas de planejamento, montou um roteiro de 12 dias que incluía visitas ao Rio de Janeiro, à Amazónia, às Cataratas do Iguaçu e aos Lençóis Maranhenses.

Mas os planos da analista forense foram radicalmente alterados quando ela soube da epidemia de zika que se alastrava pelo país. Agora Jaffry e o marido só passarão dois dias no Brasil antes de regressar a Dubai, onde moram.
"Vamos pousar no Rio, assistir ao desfile das escolas de samba e voltar no dia seguinte", ela disse à BBC Brasil.
Aos 27 anos e com planos de engravidar, Jaffry quis reduzir os riscos de contrair o vírus durante a viagem, temendo associação entre o zika e casos de microcefalia em bebés.
"Por vários meses eu buscava diariamente no Google informações sobre praias, o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor. Agora só busco notícias sobre o avanço do zika pelo Brasil."
Ela afirma que os pais do casal têm tentado convencê-los a cancelar também a ida para o Rio, mas que ela avalia que as chances de se contaminar são pequenas se proteger o corpo dos mosquitos. "Sei que estará bem quente lá, mas na minha mala só vou levar roupas de inverno."
Associações hoteleiras e operadores de turismo temem que a epidemia de zika leve mais estrangeiros a evitar viagens ao Brasil, reduzindo os ganhos que o sector esperava obter neste ano com a alta do dólar e a visibilidade trazida pelos Jogos Olímpicos.
"Isso nos pegou realmente de surpresa", diz à BBC Brasil o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Dilson Jatahy Fonseca.
"Estamos bastante preocupados com a repercussão negativa da doença e que exista uma redução do crescimento esperado para nosso sector neste ano", afirma.
Há duas semanas, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) emitiu um alerta desaconselhando grávidas ou mulheres que pretendam engravidar a visitar o Brasil e outros 19 países latino-americanos ou caribenhos afectados pelo vírus.
A OMS (Organização Mundial da Saúde), no entanto, não recomenda restrições de viagens por conta da zika. "Recomenda-se aos viajantes que tomem as precauções indicadas para prevenir picadas de mosquito", diz a entidade. Às grávidas, a indicação do órgão é que consulte seu médico antes de viajar e, durante a viagem, cubra a pele exposta e use repelentes apropriados.
Na terça-feira, a companhia aérea americana United Airlines divulgou que passageiros poderiam remarcar voos para países atingidos pela epidemia ou ser reembolsados pelos bilhetes.
A American Airlines também anunciou a possibilidade de ressarcimento, mas só para passageiras que apresentem atestados médicos com a recomendação de que não viajem.
Brasil mais barato
O turismo é um dos poucos sectores que poderiam se beneficiar do actual cenário económico no Brasil, já que a desvalorização do real tende a tornar o país mais barato para estrangeiros e a estimular brasileiros a viajar internamente em vez de buscar destinos no exterior.
Segundo Fonseca, porém, muitos dos hotéis que nesta altura do ano costumam estar completamente reservados para o Carnaval ainda têm quartos disponíveis.
Ao mesmo tempo, ele diz que a crise económica pode ser a principal culpada pela menor procura e que muitas reservas podem ser feitas de última hora.
Fonseca não disse quais são os Estados ou regiões em que os hotéis têm sido mais afectados pelo zika. Por ora, os casos de microcefalia se concentram no Nordeste, mas todas as regiões do país já detectaram casos de zika.
Agências de turismo nos Estados Unidos já registam cancelamentos de viagens à América Latina por causa do vírus.
Em nota à BBC Brasil, a Travel Leaders Group diz clientes têm sido aconselhados individualmente sobre viagens para áreas afectadas.
Fonte: BBC

back to top