Primeira negra ministra na Itália é alvo de insultos racistas
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A nomeação de Cecile Kyenge como a primeira negra ministra da Itália - o que seria um símbolo da integração racial no país - levou um duro golpe quando Mario Borghezio, parlamentar integrante da Liga Norte, ridicularizou o que descrevia como o novo “governo bonga bonga”.
Em uma entrevista à Radio 24, Borghezio afirmou que Cecile tentaria “impor as tradições tribais” do Congo na Itália. A repulsa gerada pelas declarações fez com que o governo autorizasse, nesta quarta-feira, a abertura de uma investigação de páginas fascistas na internet, cujos membros chamaram Cecile de “macaca congolesa”.
Cecile, de 48 anos, nasceu no Congo, país que deixou há três décadas para estudar medicina na Itália. Oftamalmologista, ela vive em Modena, com seu marido italiano e dois filhos. Era uma activa integrante do centro-esquerda local até que conseguiu uma cadeira na Câmara de Deputados nas eleições de Fevereiro.
Na semana passada, a médica foi escolhida pelo primeiro-ministro Enrico Letta como ministra de Integração, para formar o governo híbrido formado por ele e que conseguiu na terça-feira seu segundo voto de confiança no Parlamento.
Na terça-feira, a congolesa respondeu aos insultos pelo Twitter e agradeceu aos que saíram em sua defesa.
“Acredito que até mesmo a crítica pode informar se foi feita com respeito”, escreveu.
Em seu discurso de apresentação no Parlamento, Letta descreveu a nomeação da ministra como “"um novo conceito sobre as barreiras que levam à esperança, sobre os limites intransponíveis que levam a uma ponte entre comunidades diferentes”.